Estilos de Vida Saudável em tempo de Pandemia

Estilos de Vida Saudável em tempo de Pandemia

O impacto da Pandemia por COVID-19, na sociedade moderna, é inegável. As sucessivas medidas de isolamento social, confinamento e outras restrições vieram alterar as nossas perceções de vida e de saúde, bem como os hábitos que fazem parte da nossa rotina, ou seja, os nossos estilos de vida.
Um estilo de vida saudável deve abranger, entre outros, cuidados com a alimentação, a prática de exercício físico, o padrão de sono e a autogestão do stresse, cuidados esses que se relacionam diretamente com a prevenção da diabetes mellitus, obesidade, doenças oncológicas, respiratórias e cardiovasculares: hipertensão arterial e acidente vascular cerebral (AVC).
Em Portugal, como noutros países desenvolvidos, estas doenças, consideradas evitáveis, de um ponto de vista comportamental, assumem-se como a principal causa de morte e de perda de qualidade de vida dos indivíduos. Dados do último inquérito regional de saúde indicam que, em 2019, mais de metade da população (58,5%) tinha excesso de peso e que, na faixa etária dos 25 aos 34 anos, em cada 100 jovens, 25 apresentavam obesidade, valor superior ao dobro da média nacional, para a mesma idade.
Considerando que o excesso de peso pode ser uma condição resultante da adoção de múltiplos comportamentos inadequados em saúde e da qual decorrem várias das condições patológicas descritas, a realidade apresentada destaca a importância da promoção de estilos de vida saudável na nossa população, especialmente durante o período pandémico, em que as restrições em vigor têm imposto uma mudança significativa nos comportamentos desejáveis em saúde e nas várias gerações que a elas têm sido sujeitas.
Dados do inquérito sobre alimentação e exercício físico em contexto de contenção social por COVID-19 realçam que os portugueses praticaram menos atividade física e alteraram os seus hábitos alimentares, durante o confinamento. No período de 9 de abril a 4 de maio de 2020, de entre os indivíduos que mudaram os seus hábitos alimentares, 41,8% afirmou ter sido para pior.
As razões justificam-se com as alterações: na frequência das refeições, no horário de trabalho (17,6%), no apetite (19,3%) e com o stresse vivido (18,6%). Estas alterações nos hábitos alimentares, agravadas pelo aumento dos níveis de sedentarismo e pela baixa prevalência da prática de exercício físico (60,9%), podem explicar a perceção de peso aumentado que 26,4% da amostra refere, durante este período.

Efetivamente, um dos estilos de vida que tem sido identificado como mais comprometido pelo contexto pandémico é a prática de exercício físico que, de acordo com a evidência científica, sofreu um impacto significativo quer no modo, quer na frequência com que é praticado, para a grande maioria da população. A juntar à falta de exercício, o tempo aumentado frente aos ecrãs e o sedentarismo são preocupações, também, a combater.
Incentivar os indivíduos para a prática de um estilo de vida saudável deverá, pois, incluir, como prioridade, a promoção do exercício físico e dos seus múltiplos benefícios para o aumento da longevidade e promoção do bem-estar físico (reforço do sistema imunitário), psicológico (autogestão do stresse e melhoria da qualidade do padrão do sono) e social (prevenção do isolamento).
A COVID-19 faz parte da realidade contemporânea e apesar dos obstáculos que o contexto desta pandemia possa (continuar a) ditar, saber contorná-los será uma tarefa desafiante, mas necessária, para que todos possamos superá-la da melhor forma e com a melhor saúde.

#hajasaude

Saiba mais em:

Isolamento


https://www.dgs.pt/programa-nacional-para-a-promocao-da-atvidade-fisica/ficheiros-externos-pnpaf/rel_resultados-survey-covid-19-pdf.aspx
https://www.who.int/campaigns/connecting-the-world-to-combat-coronavirus/healthyathome

Artigo realizado por: Carolina Santos, Catarina Perry, Daniel Câmara, Inês Botelho, Inês Melo, Inês Subica, Joana Ferreira, João Teixeira, Maria Amaral, Maria Cabral, Mariana Curvelo e Marta Medeiros, alunos do 2º ano do curso de Licenciatura em Enfermagem, no âmbito da Experiência de Promoção da Literacia para a saúde com recurso a plataformas digitais integrada no Ensino Clínico em Cuidados de Saúde Primários/Hospitalares

Referências Bibliográficas

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Despacho n.º 6401/2016. Diário da República: Série II, n.º 94/2016 (2016). Acedido a 14 maio 2020. Disponível em https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/74443131/details/normal?q=Despacho+n%C2%BA%206401%2F2016

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