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Dia Mundial da Saúde Mental

 Depressão no idoso uma realidade

Com a celebração do Dia Mundial da Saúde Mental torna-se importante destacar uma das doenças mais emergentes da atualidade, a depressão. Segundo o Ministério da Saúde, 20% da população portuguesa é afetada por esta doença que influencia e altera a qualidade de vida das pessoas pela incapacidade das mesmas em assegurarem as responsabilidades diárias, podendo durar meses ou anos. É caraterizada pelo sentimento de tristeza profunda, ausência de ânimo, oscilações de humor, perda de interesse, sendo na maioria das vezes confundida com sintomas atribuídos a outras causas como ansiedade, stress, cansaço, demência e doenças físicas. Torna-se assim essencial diagnosticar atempadamente a doença e manter um acompanhamento especializado em saúde mental e psiquiátrico.

O processo de envelhecimento leva a alterações físicas, psicológicas e sociais associadas à fragilização e vulnerabilidade do idoso às diversas situações de vida e de saúde, embora ser idoso não implique estar doente, a depressão pode surgir nesta faixa etária ou numa fase mais precoce.

Estudos a nível nacional estimam que 6 a 10% da população idosa em Portugal têm depressão.

Muitas vezes a depressão em idosos não é valorizada, chegando a ser ignorada pelos profissionais de saúde e pelos próprios idosos e familiares, porque os sintomas são vistos como um normal processo de envelhecimento, podendo levar a um agravamento da doença.

Os sintomas mais comuns presentes na depressão geriátrica são: maior tendência ao isolamento, sensação de irritabilidade e de preocupação, alteração do apetite, funções motoras mais lentas, alterações da concentração, memória e raciocínio, sensação de tristeza diária e persistente, sentimentos de vazio e falta de esperança, insónia, perturbação do desejo sexual, fadiga e falta de energia diária, desmotivação nas atividades de vida diárias, sentimentos de culpa e perda da vontade de viver ou pensamentos de morte.

O tratamento da depressão é importante e tem como objetivo principal reduzir o sofrimento mental, minimizar o risco de suicídio e garantir a qualidade de vida através de uma intervenção acompanhada por profissionais de saúde especializados, que possam identificar os fatores de risco depressivos e orientar o idoso, familiares e cuidadores para os recursos necessários e disponíveis na comunidade. Existem várias abordagens possíveis para o tratamento da depressão, as mais comuns são os psicofarmacológicos e/ou psicoterapêuticos que deverão respeitar a pessoa e o seu contexto.

A alternativa de evitar a doença centra-se na promoção da saúde e na prevenção da doença através do acompanhamento desta população por serviços da comunidade que devem incentivar o “envelhecimento ativo”: promoção da saúde, exercício físico adequado e adaptado, estimulação cognitiva, socialização e diminuição das situações de pobreza, contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida do idoso.

O profissional de Saúde deve estar desperto para os sinais e sintomas da depressão no idoso, nomeadamente o enfermeiro especialista em enfermagem de saúde mental e psiquiátrica através do desempenho de funções diferenciadas. O enfermeiro tem um papel fundamental tanto na prevenção como na identificação dos sintomas de depressão, sendo o suporte familiar e social um complemento importante no tratamento da mesma.

A Equipa de Apoio Integrado Domiciliário (EAID) do Centro de Saúde de Ponta Delgada, Unidade Saúde Ilha de São Miguel, é uma equipa multidisciplinar que presta cuidados em contexto domiciliário a uma população maioritariamente idosa. Esta equipa integra na sua prática diária a avaliação holística do idoso bem como da família e rede de suporte, estando a mesma apta a sinalizar e orientar as situações de depressão geriátrica.

Os enfermeiros especialistas em saúde mental da EAID desenvolvem e mobilizam competências de âmbito psicoterapêutico, socioterapêutico, psicossocial e psicoeducacional durante o processo de cuidar da pessoa, da família, do grupo e da comunidade, ao longo do ciclo vital. As intervenções passam por incentivar a adesão à terapêutica, autocuidado e ocupação útil. São utilizadas estratégias adequadas às necessidades do utente, entre as quais, a relação de ajuda e as intervenções psicoterapêuticas, tais como: terapia expressiva, de resolução de problemas, da crise, do luto e de suporte.

Neste dia, em que se celebra o dia da Saúde Mental, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria avisa que Portugal não está preparado para a doença mental na terceira idade. À semelhança do que acontece em outras áreas da saúde é preciso tornar a saúde mental uma prioridade pois torna-se impossível dissociar a saúde física da saúde mental.

A Organização Mundial de Saúde determinou para este ano o tema “Dignidade na Saúde Mental: Primeiros Socorros de Saúde Mental e Psicológica para Todos”, enquadrando-se assim a depressão como alvo dos primeiros socorros em Saúde Mental, visto ser uma doença altamente incapacitante e responsável pela maior parte do número de suicídios. É essencial então alertar a comunidade para esta doença e para a importância da intervenção na prevenção de complicações, para que se possa manter a dignidade e qualidade de vida das pessoas.

Autoras:

Catarina Câmara

Cristina Medeiros

Helena Silva

Enfermeiras especialistas em enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica da EAID – Equipa de Apoio Integrado Domiciliário da USISM